O que tem acontecido com os brasileiros com relação à fé?
Tenho notado um aumento significativo de igrejas evangélicas no Brasil. É fácil notar isto porque na periferia pode-se contar umas cinco igrejas bem próximas umas da outras. Estas igrejas, especificamente, são frequentadas por pessoas mais pobres e, obviamente, são pentecostais. Parece que à proporção em que crescem os bares das periferias, nascem as igrejas. Esta fórmula é simples: as famílias - sobretudo as mães - cansadas da violência, das drogas e das dificuldades, buscam refúgio onde o sobrenatural pode oferecer respostas e esperanças antes não conhecidas.
O protestantismo é uma vertente do Cristianismo, assim como o catolicismo. As diferenças mais marcantes entre as duas correntes está, para os protestantes, no reconhecimento de Cristo como único mediador entre os homens e Deus, diferente dos católicos, que dirigem suas orações também aos santos. Esta diferença vem, junto com outras, da cisão que sofreu a Igreja à época da Reforma Protestante. Da necessidade de se poder chegar a Deus sem o pagamento das indulgências é que o Cristianismo ficou divido entre católicos e protestantes, daí o termo cisão, ao invés de reforma.
Mas hoje, o que tem acontecido com o protestantismo? Rubem Alves comentou no espaço em que escreve no jornal Correio Popular, um dia, que quando perguntam sobre sua religião, ele responde: "sou protestante". A respeito do que chamam de "evangélico", ele diz: "não participo desta confraria". Mas Evangélico e Protestante não significam a mesma coisa? Aí está mais uma divisão. O termo protestantismo tem tentado se referir a uma classe mais consciente e tradicional de religiosos destas igrejas protestantes que nasceram da Reforma, cresceram na Europa e Estados Unidos e vieram parar no Brasil. Dito de outro modo, é um modelo mais elegante da religião "evangélica". Os evangélicos, por sua vez, trazem o esteriótipo do "crente". Este crente das periferias, de quem me referi logo no início. A divisão ocorre dentro da própria corrente evangélica, pois o termo crente parece pejorativo aos olhos dos que se dizem protestantes pelo motivo, entre outros, de que os crentes permitem uma exploração maior de si mesmos a partir de seus líderes religiosos, os pastores.
Para esclarecer o que foi dito, é preciso lembrar que o crescimento da religião evangélica no maior país católico do mundo é favorável em épocas em que o país passa por momentos ainda mais difíceis - desemprego, economia fraca, desestrutura social. Neste cenário o pentecostalismo traz mais fortemente e com agressividade aquilo que os evangélicos mais tradicionais também acreditam: nos milagres, nas curas, nas provisões de Deus. Mas ainda é pouco. Então, o neopentecostalismo promete, através de igrejas diversas, as provisões completas para uma vida mais satisfatória já, nesta vida, e não apenas no céu. Provisões completas! Inclusive de bençãos financeiras sem precedentes, com direito à posse do automóvel, da casa, da empresa, da liderança no trabalho, das causas ganhas em justiça. E o que fazer para poder desfrutar de tudo isso? Ter fé? Ser bom, honesto, trabalhador, pois Cristo ensinou assim e Deus recompensa a quem é fiel? Para eles, a resposta é "não" , e repetem segundo a Bíblia : " A fé sem obras é morta". É preciso plantar, e devolver a Deus o que é de Deus. Citam Malaquias 3:14 , o clássico discurso de que através do dízimo, bênçãos sem medidas são dadas aos fiéis. O dízimo, em si, nada traz de ruim ; é já instituído há muito tempo, e também os católicos o conhecem. Mas dízimos dobrados e triplicados são estimulados nas igrejas, a fim de que as bênçãos também sejam dobradas e triplicadas. E as campanhas, e os sacrifícios, e os envelopes? E os programas televisivos, que trazem pouca pregação e muitos testemunhos de bênçãos? E o apelo dos pastores todos os dias : " Irmãos, eu preciso da sua ajuda para pagar este programa de televisão, ou nosso programa sai do ar. Me ajude com uma oferta de no mínimo 30 Reais. Deposite nesta conta que aperece no seu vídeo".
Assim, o Brasil tem sido ultimamente um celeiro de igrejas que crescem e abrem filiais em outros países. Um caminho inverso do passado. Desta forma, aproveita-se da boa fé daqueles que mais precisam e daqueles que não precisam. Ou seria má fé? Pois também está na Bíblia que " o povo sofre por não conhecer a Deus". Aliás, o tiro muitas vezes sai pela culatra : na busca do pastor, a ovelha encontra o lobo, e , mais machucada do que antes, fica ainda mais desgarrada e se perde.
O que é necessário para que tamanhas afrontas possam ser revistas? Uma legislação que fiscalize as doações a estas instituições "sem fins lucrativos" ? Uma busca a a partir própria população instiuições idôneas que realmente se importam com a pessoa? Uma re-reforma em pleno Brasil?
Considerações finais:
Não sou ateu, nem comunista, nem sofro de falta de fé. Ao contrário, nasci e cresci com orientação evangélica ou protestante. Porque acredito em Deus decidi escrever sobre algo que há muito tempo me incomoda e também a muitas pessoas. Seria bom que as pessoas pudessem seguir suas crenças, quaisquer que sejam, com liberdade, com justiça, sem opressão.
Tenho notado um aumento significativo de igrejas evangélicas no Brasil. É fácil notar isto porque na periferia pode-se contar umas cinco igrejas bem próximas umas da outras. Estas igrejas, especificamente, são frequentadas por pessoas mais pobres e, obviamente, são pentecostais. Parece que à proporção em que crescem os bares das periferias, nascem as igrejas. Esta fórmula é simples: as famílias - sobretudo as mães - cansadas da violência, das drogas e das dificuldades, buscam refúgio onde o sobrenatural pode oferecer respostas e esperanças antes não conhecidas.
O protestantismo é uma vertente do Cristianismo, assim como o catolicismo. As diferenças mais marcantes entre as duas correntes está, para os protestantes, no reconhecimento de Cristo como único mediador entre os homens e Deus, diferente dos católicos, que dirigem suas orações também aos santos. Esta diferença vem, junto com outras, da cisão que sofreu a Igreja à época da Reforma Protestante. Da necessidade de se poder chegar a Deus sem o pagamento das indulgências é que o Cristianismo ficou divido entre católicos e protestantes, daí o termo cisão, ao invés de reforma.
Mas hoje, o que tem acontecido com o protestantismo? Rubem Alves comentou no espaço em que escreve no jornal Correio Popular, um dia, que quando perguntam sobre sua religião, ele responde: "sou protestante". A respeito do que chamam de "evangélico", ele diz: "não participo desta confraria". Mas Evangélico e Protestante não significam a mesma coisa? Aí está mais uma divisão. O termo protestantismo tem tentado se referir a uma classe mais consciente e tradicional de religiosos destas igrejas protestantes que nasceram da Reforma, cresceram na Europa e Estados Unidos e vieram parar no Brasil. Dito de outro modo, é um modelo mais elegante da religião "evangélica". Os evangélicos, por sua vez, trazem o esteriótipo do "crente". Este crente das periferias, de quem me referi logo no início. A divisão ocorre dentro da própria corrente evangélica, pois o termo crente parece pejorativo aos olhos dos que se dizem protestantes pelo motivo, entre outros, de que os crentes permitem uma exploração maior de si mesmos a partir de seus líderes religiosos, os pastores.
Para esclarecer o que foi dito, é preciso lembrar que o crescimento da religião evangélica no maior país católico do mundo é favorável em épocas em que o país passa por momentos ainda mais difíceis - desemprego, economia fraca, desestrutura social. Neste cenário o pentecostalismo traz mais fortemente e com agressividade aquilo que os evangélicos mais tradicionais também acreditam: nos milagres, nas curas, nas provisões de Deus. Mas ainda é pouco. Então, o neopentecostalismo promete, através de igrejas diversas, as provisões completas para uma vida mais satisfatória já, nesta vida, e não apenas no céu. Provisões completas! Inclusive de bençãos financeiras sem precedentes, com direito à posse do automóvel, da casa, da empresa, da liderança no trabalho, das causas ganhas em justiça. E o que fazer para poder desfrutar de tudo isso? Ter fé? Ser bom, honesto, trabalhador, pois Cristo ensinou assim e Deus recompensa a quem é fiel? Para eles, a resposta é "não" , e repetem segundo a Bíblia : " A fé sem obras é morta". É preciso plantar, e devolver a Deus o que é de Deus. Citam Malaquias 3:14 , o clássico discurso de que através do dízimo, bênçãos sem medidas são dadas aos fiéis. O dízimo, em si, nada traz de ruim ; é já instituído há muito tempo, e também os católicos o conhecem. Mas dízimos dobrados e triplicados são estimulados nas igrejas, a fim de que as bênçãos também sejam dobradas e triplicadas. E as campanhas, e os sacrifícios, e os envelopes? E os programas televisivos, que trazem pouca pregação e muitos testemunhos de bênçãos? E o apelo dos pastores todos os dias : " Irmãos, eu preciso da sua ajuda para pagar este programa de televisão, ou nosso programa sai do ar. Me ajude com uma oferta de no mínimo 30 Reais. Deposite nesta conta que aperece no seu vídeo".
Assim, o Brasil tem sido ultimamente um celeiro de igrejas que crescem e abrem filiais em outros países. Um caminho inverso do passado. Desta forma, aproveita-se da boa fé daqueles que mais precisam e daqueles que não precisam. Ou seria má fé? Pois também está na Bíblia que " o povo sofre por não conhecer a Deus". Aliás, o tiro muitas vezes sai pela culatra : na busca do pastor, a ovelha encontra o lobo, e , mais machucada do que antes, fica ainda mais desgarrada e se perde.
O que é necessário para que tamanhas afrontas possam ser revistas? Uma legislação que fiscalize as doações a estas instituições "sem fins lucrativos" ? Uma busca a a partir própria população instiuições idôneas que realmente se importam com a pessoa? Uma re-reforma em pleno Brasil?
Considerações finais:
Não sou ateu, nem comunista, nem sofro de falta de fé. Ao contrário, nasci e cresci com orientação evangélica ou protestante. Porque acredito em Deus decidi escrever sobre algo que há muito tempo me incomoda e também a muitas pessoas. Seria bom que as pessoas pudessem seguir suas crenças, quaisquer que sejam, com liberdade, com justiça, sem opressão.